15 janeiro 2007

O diminutivo na Língua Portuguesa

por Rafael Mattos

Erra quem pensa que a função do diminutivo na língua portuguesa é somente diminuir. A primeira e mais clara exceção dessa regra é o advérbio temporal “rapidinho”, que sempre demora mais do que se fosse somente “rápido”.
Com o grande contato que estou tendo com alunos de português como língua estrangeira, percebi que esse tema causa grande fascinação. Mas como dar uma explicação satisfatória para o porquê de uma roupa ser “baratinha” ou de tomarmos um “cafezinho”?
O diminutivo não segue uma regra só, mas várias regrinhas. No dia-a-dia do brasileiro, pode ser muito usado com tom pejorativo. Desse modo, um médico vira um doutorzinho e um guarda perde todo seu poder, virando o guardinha.
Para se referir a uma grande precisão, também podemos recorrer ao diminutivo. Por exemplo, um amigo que mora no comecinho da rua, ou alguém que sabe direitinho fazer determinado caminho.
O mais popular talvez seja o diminutivo sedutor, que torna qualquer proposta mais atrativa: pegar uma praia é bom, mas não tanto quanto pegar aquela prainha. Nessa categoria também se encontra o primeiro diminutivo que os estrangeiros aprendem, a cervejinha.
Pode haver também mudanças de significado. Pobre é aquele que não tem dinheiro. Pobrezinha é a moça que foi traída pelo namorado. Tadinha é a abreviação do diminutivo de coitada, e enfatiza a compaixão que se sente por alguém de quem se sente pena – ou peninha.
Não devo me alongar muito, porque esse texto era pra ser curtinho. Espero que tenha conseguido deixar mais claro esse fenômeno do português, uma lingüinha difícil pra caramba!